quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Super Duper Podcast #008: Artes Marciais


Pancadaria. Uma parte importante do universo dos videogames. Mas convenhamos que existem diversas maneiras de chutar o traseiro de um vilão - ou mocinho, dependendo de que lado do deathmatch você está. Algumas maneiras bastante graciosas, outras um pouco menos sutis.


No oitavo podcast falaremos sobre kung fu e outras artes marciais utilizadas pelos nossos personagens favoritos. Contamos mais uma vez com a participação super duper especial do Ddé, que é praticante de artes marciais (e fighting gamer, como nós) para discutir sobre esse assunto. Lembrando que, pra ficar mais divertido, não falaremos sobre jogos de luta como Street Fighter ou Mortal Kombat, mas jogos em que luta está muito presente.

Qual seu estilo de luta favorito? Conhece algum jogo que merece ser mencionado e deixamos de lado? Também não consegue acreditar como esquecemos de falar sobre Rag Doll Kung Fu? Deixem suas considerações acrobaticamente furiosas, pois serão todas muito bem vindas! WAATAAA!!


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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Super Duper Podcast #007: Comida em Jogos

Algumas pessoas tem uma dieta balanceada e se preocupam com a quantidade de proteínas, carboidratos e tudo mais que ingerem diariamente. Outros, bem como a maioria dos personagens de videogame, tem como única preocupação manter sua barra de energia cheia!


Dizem que sete é um número de sorte. Vamos precisar, porque nesse sétimo podcast estaremos falando de boca cheia sobre um assunto que, seja você carnívoro, herbívoro ou onomnomnomnívoro, provavelmente é do seu interesse. Para nos ajudar, contamos com a super duper participação especial do Ddé. E mais: esse podcast foi gravado diretamente de uma super duper lanchonete!

Qual sua comida em jogos predileta? Que personagem é o mais refinado, ou mais glutão na hora de se alimentar? Já preparou alguma receita que aprendeu em jogos? Queremos nos deliciar com suas ideias!


Ddé


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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Review - Dragon Heart (Playstation)

Mais uma do fundo do baú: o jogo baseado no filme Coração de Dragão, também lá do começo da era Playstation. Antes de falar dele, fica a dica: assistam o filme. É bem legal!
Mas voltando ao jogo...
Não, você não joga com o dragão neste jogo...
Dragon Heart infelizmente não foi um dos melhores exemplos do que o Playstation podia fazer. E olha que eu sou uma das pessoas mais benevolentes com esse jogo, pois lembro de ter ficado impressionado na época com algumas coisas. Tentarei destacar esses pontos positivos, em meio às partes ruins que tenho que citar...
Este é um jogo de ação side-scrolling que usa sprites digitalizados baseado no filme, como Mortal Kombat fez nos seus primeiros jogos e luta. A ideia ainda parecia promissora na época e, para dar algum crédito ao jogo, até que foi bem efetuada. Os cenários, principalmente, eram super legais. Lembro-me claramente de ficar impressionado com a floresta da primeira fase.
Sou só eu ou essa floresta parece muuuito legal?! *_*
O maior problema é que os personagens sofrem de uma animação enfadonha. Tudo, incluindo o herói que você controla, se move de forma tão rígida que chega a parecer amador. Os controles também não ajudam em nada: fazem mesmo as tarefas mais simples tornarem-se incrivelmente difícieis. Você passa boa parte do tempo xingando o jogo por não conseguir realizar os movimentos que queria com a agilidade que gostaria.
Enfrentar um cavaleiro não é tão ruim quanto lutar contra os controles.
Uma coisa bacana em termos de gameplay é que eventualmente você podia contar com a ajuda de Draco, seja para cuspir fogo nos inimigos ou até voar nas costas dele.
O som fazia sua parte, sem se destacar, mas nem de longe conseguia salvar o título.
Resumindo, Dragon Heart só é bom nas minhas lembranças. Na vida real, a história é outra.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Review - Boxing (Atari 2600)

Bom, vamos deixar uma coisa bem clara: para quem é velho o bastante para recordar, o Atari traz lembranças gostosas da infância e temos um carinho especial por ele. Mas acreditem em quem jogou bastante há pouco tempo: é difícil suportar as limitações hoje em dia, como bem falamos no nosso primeiro podcast.
Claro, isso depende do jogo. O clássico Pong ainda se mantém, mas nem todos os jogos compartilham da mesma sorte.
E como será que Boxing se segura hoje em dia?
Pela capa até parece que estão usando Super Combos.
Os fighters atuais são recheados de espetáculos incríveis de força e habilidade, onde grupos enormes de personagens partem para a luta, cada um trazendo uma lista completa de golpes e estratégias diferentes.
Porém, quando você retira todo o brilho e glamour dos visuais modernos, todas as mecânicas complicadas e luzes que ofuscam a tela, fundamentalmente, o espírito do combate ainda é o mesmo. Boxing para Atari não tem nenhuma dessas camadas extras e vai direto ao ponto: os princípios básicos de um combate competitivo, o mano a mano.
Como todo jogo do Atari, Boxing não tem texturas, não tem muito que se passe por cenário, e seus personagens praticamente não parecem humanos, mas a estratégia da luta está ali. Acerte o rosto do oponente e marcará um ponto; leve um soco, e é o adversário quem comemora. Ambos tem as mesmas armas, as mesmas possibilidades. É tudo uma questão de movimentação, precisão e timing.
Precisava ser um bonequinho branco contra um preto?
Você não terá listas enormes de golpes para decorar, mas justamente por isso, terá que trabalhar ainda mais duro para pode realmente se destacar. Boxing é altamente competitivo, mas também simples o bastante para que qualquer pessoa que nunca jogou antes possa entrar no ringue e lhe oferecer um desafio a altura. Mesmo em tempos modernos, essa dinâmica ainda resiste bem e torna a experiência, no mínimo, interessante.
Até onde a capacidade do Atari vai, este é um dos melhores jogos pra se jogar hoje em dia. Convide um amigo e veja quem se sai melhor dentro do ringue!


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Review - Dragon Ball Advance Adventure (Game Boy Advance)

Dragon Ball: Advanced Adventure é um sidescroller para o GBA sobre a história original de Dragon Ball, e não sobre Dragon Ball Z ou GT. Simplesmente este fato já seria um motivo para conferir o jogo, mas, acredite, há muitos outros.
Melhor jogo da série Dragon Ball inteira.
Os gráficos são lindos, fluidos e detalhados. Um pouco de reciclagem de sprites é inevitável, mas muitas áreas e inimigos são originais, e todos baseados na franquia.
Individualmente, os inimigos não são problema, mas quando atacam em grupo...
A música é outra coisa de qualidade. A trilha sonora, sejam as músicas retiradas do anime ou as originais, estão em alta qualidade e complementam muito bem a ação. Os demais efeitos sonoros e gritos também seguem fielmente o anime e contribuem para a imersão do jogador.
O jogo é dividido em duas partes, os níveis de sidescrolling e as batalhas contra chefes, no estilo um contra um. Para evitar que os combates sejam cansativos, há várias opções de combos e golpes, além de muitas habilidades que você adquire à medida em que vai subindo de nível. Tudo, é claro, muito bem desenhado e animado.
Come at me, bro! Na hora dos chefes, o estilo de jogo muda.
Kuririn e todos os chefes podem ser desbloqueados para se usar depois, seja no modo de luta, ou mesmo durante a história (no caso do Kuririn). Apesar de alguns terem habilidades semelhantes, todos possuem alguma coisa diferente no seu repertório, tal qual um pulo duplo, um combo diferente, ou coisa parecida.
A história segue todo o enredo de Dragon Ball, do começo ao fim, embora tome algumas liberades durante o caminho, encurtando ou modificando alguns fatos. No geral, porém, você ficará bastante satisfeito de visitar as inúmeras tramas que compõem o enredo da série, e há uma boa chance que até se veja jogando em alguma da qual tinha se esquecido que existia.
As batalhas na Torre da Força também fazem parte do jogo.
Mas o melhor mesmo, a cereja em cima do bolo, é quando falamos de replay, ou seja, encarar uma segunda partida. Por que você faria isso? Ora, já mencionamos que Kuririn e os chefes podem ser destrancados, mas que tal quase qualquer outro personagem?
De Yamcha e Tenshinhan ao General Blue e o Ninja Púrpura, passando por soldados, monstros, robôs diversos, e até um lobo, esse jogo te permite habilitar um número enorme de personagens diferentes, com os quais poderá encarar todas as fases. E cada um tem uma habilidade diferente, algumas das quais são muito úteis e oferecem uma maneira completamente diferente de passar pelo jogo.
Até este robô da RR pode ser habilitado na sua segunda partida
Ou seja, Dragon Ball Advance Adventure tem de tudo. É bonito, bem animado, tem controles altamente responsivos, é uma viagem nostálgica à série original e o único lugar onde que você poderá controlar alguns personagens bastante memoráveis... e outros nem tanto.
Obrigatório. Jogue! Você não vai se arrepender.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cópia e inspiração

Quem acompanha as notícias deve saber que em breve será lançado Playstation All-Star Battle Royale, um jogo de luta envolvendo vários mascotes e personagens marcantes da história dos consoles da Sony. Alguns torcem o nariz, outros, como eu, estão animado com a perspectiva de ver Nathan Drake ao lado de personagnes como Cole McGrath, Fat Princess e Kratos.
Ressucitaram até o Parappa the Rapper nesse negócio
A verdade é que já vimos esse conceito antes. Os fãs da Nintendo jogam Smash Bros há anos e, até então, os que queriam discutir com alguém, brigavam a respeito desse ser, ou não, um jogo de luta. Fundamentalmente o mesmo princípio, mas uma execução inegavelmente diferente dos tradicionais.
 
Agora, porém, há um novo motivo para a revolta: a "tentativa fracassada" da Sony em copiar a fórmula de Smash Bros. Para alguns, isso é suficiente para classificar PASBR (eta nome grande) como ruim, pois não oferece uma experiência significativamente diferente e apenas copia o que outros fizeram. Mesmo sem jogar, essas pessoas já têm certeza de que o novo título é inferior à série tradicional.
 
Posso ver um vestígio de razão nesse argumento, mas não muito além disso.
O original. Ai de você se criticar este...
Parece inegável que o SuperRobot (estúdio por trás do título da Sony) tenha buscado larga inspiração no jogo da Nintendo. Posso dizer mais até: muito provavelmente a decisão de criar o jogo foi, sim, comercial, em vista do sucesso daquele, na vontade de imitar a fórmula. E, sim, apesar de apresentar dinâmicas diferentes, o esquema básico ainda é bastante semelhante.
 
Isso confirma os argumentos contra? Bom, não, a menos que você esteja disposto a ser muito mais severo com vários dos jogos que gosta.
 
Afinal de contas, PASBR está longe de ser o primeiro a seguir bem de perto a fórmula de Smash Bros. Já ouviu falar de DreamMix TV World Fighters? Esse jogo, inclusive, trouxe o Solid Snake como personagem, bem antes de ele decidir enfrentar pokémons e encanadores bigodudos.
Optimus Prime também está nesse jogo. Esqueci de mencionar isso?
Smash Bros pode ter surgido antes, mas será que ele inventou a fórmula de combates entre personagens em jogos de luta? A decisão de misturar personagens de jogos variados também não é novidade, visto que isso era feito desde 1994, em The King of Fighters. Possivelmente antes disso até.
 
Claro, a grande sacada da Nintendo foi se aproveitar muito bem do que tem: muitos personagens memoráveis, que agradam tanto os jogadores mais jovens, como o público mais velho, que tem preciosas lembranças de infância controlando os seus heróis. Além disso, o esquema de batalha é bastante simplificado, permitindo que qualquer pessoa jogue facilmente.
 
Fazendo um bom uso desse importante patrimônio, a empresa criou um sub-gênero de jogos de luta que serve inspiração para muitos hoje em dia.
 
Mas isso não muda o fato de que todo jogo de luta, independemente das variações do estilo, seja ele 2D, 3D, mais ou menos casual, envolva humanos, montros gigantes ou tratores e caminhões (sério: BCV: Battle Construction Vehicles, disponível na PSN Europeia), são inspirados grandemente em Street Fighter 2, que revolucionou o gênero em 1992.
E até Street Fighter veio de algum lugar...
Será que não podemos considerar nenhum outro jogo de luta tradicional bom, porque são todos cópias de Street Fighter? Claro que não. Então por que deveríamos fazer isso com Smash Bros?
 
E por que todo jogo de corrida com karts e power-ups é imediatamente tachado como uma cópia inferior de Mario Kart? Exemplos de jogos bons nesse estilo não faltam, como Crash Team Racing ou o recente Sonic & Sega All Stars Racing. Cópia? Sim. Excelente, talvez melhor que os Mario Kart de hoje em dia? Também.
 
Claro que é tudo uma questão de gosto. Você pode, de fato, achar que Mario Kart é muito melhor que a concorrência, mas parece-me que rola um certo preconceito. Não vemos ninguém criticar os novos Dead or Alive ou Tekken por não passarem de "cópias de Virtua Fighter".
 
E igualmente o gênero dos FPS, jogos de tiro em primeira pessoa, vive feliz e sorridente com inúmeros títulos novos nos últimos anos, sem ninguém os acusando de ser mera cópia de Doom ou Wolfstein 3D.
Será que deveríamos estar todos jogando apenas Doom hoje em dia?
De forma alguma quero dizer que este ou aquele jogo é ruim. É claro que alguns títulos marcaram a nossa memória e, portanto, servem de comparação. É igualmente verdade que existem muitos casos de jogos feitos apressadamente, para embarcar no sucesso de outro (o gênero de luta, na década de 90, que o diga...). Porém, muitas vezes, a inspiração gera algo tão bom quanto, ou até melhor. Basta que você dê ao jogo uma chance.
 
Tenha uma mente aberta e experimente. Você pode se surpreender com o que encontrar.
 

 

sábado, 6 de outubro de 2012

Super Duper Podcast #006: Portáteis para Viagem


Os videogames evoluíram muito. Não precisamos mais ficar confinados dentro de nossas casas ou depender de tomadas (o tempo inteiro) para aproveitar gloriosos momentos de diversão eletrônica. E isso é uma mão na roda, especialmente em viagens longas e tediosas ou salas de espera (que a única distração disponível é  uma - desatualizada - revista de fofoca).

Tecnologia avançada nos permite carregar no bolso pequenos dispositivos que garantem entretenimento praticamente interminável (até a bateria acabar). Hoje em dia, qualquer pessoa com um celular tem acesso a jogos  (viciantemente simples como Snake ou bem complexos, como Dead Trigger). Alguns portáteis tentarão imitar a experiência de jogar no sofá com uma grande televisão, só que numa telinha minúscula. Mas outros, mais audaciosos e inovadores, nos proporcionam experiências únicas. É sobre esses dispositivos - e seus jogos - que falaremos nesse sexto podcast!

Qual seu portátil favorito? Que jogos são muito mais legais fora de casa? Também acha que a Nintendo deveria lançar um Gamecube Portátil? Compartilhe suas ideias. Deixe seus comentários!



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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Platina: Temos que Pegar!

Vamos esclarecer um conceito desde o início: platinar, em termos de videogame, significa conquistar o troféu de platina em jogos de Playstation 3, geralmente obtido após todos os outros daquele determinado título.


Os troféus disponíveis no Playstation 3. No centro, o de Platina.
Os troféus, por sua vez, são a resposta da Sony para os achievements do Xbox 360. Falarei do Playstation 3, com o qual estou mais familiarizado, mas, apesar das diferenças, o conceito fundamental é o mesmo.
 
Mas o que são essas conquistas e o que elas valem?
 
Bom, lembremos como eram as coisas antigamente. No começo, os jogos não tinham absolutamente nada além do que a primeira impressão demonstrava, portanto não havia muito sentido, ou motivo, em continuar a investir o seu tempo em algum jogo depois que a história básica estivesse completa. A menos, é claro, que fosse um daqueles títulos que possuíam múltiplos finais e você fizesse questão de vê-los todos.
 
Depois vieram os códigos, que habilitavam uma série de poderes especiais para os afoturnados que os soubessem. Sorte de quem comprava revistas de videogame ou era um desses moderninhos que tinha internet antes de todo mundo e sabia que apertar duas vezes pra cima e start na tela de apresentação te dava acesso a uma arma extra.
 
O próximo passo – e digo isso de forma generalizada, pois, até certo ponto, tudo isso coexistiu – foram os objetivos desbloqueáveis. Levante a mão quem nunca passou horas em Time Trials, ou refazendo fases, coletando todas as estrelas, ou qualquer coisa desse tipo, apenas para habilitar uma nova roupa para o seu personagem. Às vezes as tarefas eram tão cansativas e repetitivas, que abusavam da sua boa vontade e te faziam nem querer olhar mais o jogo depois de habilitar o tal do novo uniforme: ou seja, fundamentalmente, tinha sido em vão.
Ainda resta paciência para jogar Tomb Raider Anniversary depois de habilitar todas as roupas?
É isso que os troféus e achievements são: esforço em vão, sem sequer o bônus de habilitar algo que você não vai usar. Claro, vem uma mensagem dizendo que liberou o troféu e ele fica lá, em sua forma digital, na sua bela galeria virtual para a qual ninguém – além de você – dá qualquer importância.

Se analisarmos de forma fria, fica mesmo difícil entender por que um ser humano se expõe a isso. Às vezes os desafios são bem-vindos e acabam proporcionando aos jogadores a oportunidade de observar uma porção de coisas que eles não teriam visto se apenas passassem correndo pelo jogo. Nesse tipo de caso, fica mais fácil de entender e justificar a existência dessas metas: elas te fazem tirar mais proveito do jogo, te incitam a experimentar tudo que ele pode oferecer e descobrir coisas que, talvez, nunca saberia que estavam lá.
 
Precisou coletar todos as moedinhas e para isso subiu montanhas em lugares remotos do mundo, onde você nunca teve motivação real para ir? Legal, está vendo esta parte do mapa que poderia ter sido esquecida. Ou talvez a sua busca te fez correr cada tela do jogo com um pente fino, olhando com atenção o cenário inteiro para encontrar a moeda escondida, e pode ser que nisso você percebeu um objeto legal, escondido no cenário. Ou quem sabe você precisou enfrentar todos os tipos de inimigos e, por causa disso, se envolveu em batalhas divertidas que, a princípio, teriam passado batido.
Você pode perder a chance de bater em zumbis com um celular gigante se jogar Dead Rising 2 ignorando troféus.
Desse ponto de vista, os troféus parecem ter uma função de existir. E tem também aqueles desafiadores: vença no modo difícil sem perder nenhuma vida; passe o jogo sem usar tal arma e assim por diante. Nesse caso, são conquistas que, de fato, evidenciam a sua proeza como jogador, e o seu ego pode achar bem interessante se gabar delas. Afinal, não todo mundo que consegue derrotar o último chefe usando apenas uma colher de plástico, né? Você pode ostentar o seu troféu com o mesmo orgulho de um militar condecorado. Bom, exceto pelo fato de que provavelmente ninguém o verá.
 
Mas tem também aqueles troféus que simplesmente estão lá. Ou são tão fáceis e banais para se obter – passe a fase de tutorial -, ou meros testes da sua paciência. Alcance o nível máximo no jogo, um ponto de cada vez. É, todo mundo é capaz de fazer isso. O único desafio será você demonstar a paciência necessária para suportar fazer a mesma tarefa repetivida por um impensável número de horas.
 
Por que fazer isso então? Pela platina. Ou o 100%. Ou seja lá o que for. Meramente pela sensação de cumprir todos os desafios que o jogo te fez. E não seria esse exatamente o objetivo dos videogames?
 
Parece estanho olhando de fora, eu sei. Já tive a mesma sensação e algumas pessoas, mesmo tendo consoles modernos, ainda não conseguem entender por que gastar tempo dedicando-se a atingir metas que não repercutem em bonificação nenhuma.
 
De fato, não há como explicar, pelo menos não de forma lógica. Tem a ver com satisfação pessoal, com o sentimento de vencer os desafios, completar todos os objetivos. Como tudo que depende de gosto, isso é uma questão bastante individual.
 
Bem dizia Kevin Butler, na conferência da Sony em 2010: apenas um gamer entende por que ficar acordado até as três da manhã para conquistar um troféu que na verdade não está lá.
 
Segue o discurso dele completo, para quem falar inglês: http://www.youtube.com/watch?v=TvqRlhpNdYA
 
Porém, mesmo que falemos apenas das pessoas que dão algum valor à conquista de troféus, ainda assim encontraremos situações diversas.
 
Como tudo na vida, você sabe que tem alguém, em algum lugar, que se dedica tanto à coisa, que chega a ser uma obsessão. No meio do caminho, cada um vai delimitando onde fica a linha do limite entre o compreensível e o "longe demais".
 
Quanto a mim, posso dizer que, se antes era abismado pelo fato, hoje me empenho em obter os troféus que posso, na medida em que acho saudável. Eu jogo o que quero, não me motivo por ser mais ou menos fácil em conseguir as conquistas, nem deixo de jogar alguma coisa apenas porque já fiz tudo que o jogo me mandava fazer. Enquanto considero interessante jogar – e tradicionalmente dou muita vida útil ao meus jogos antes de abandoná-los – eu faço o possível para conquistar o maior número de troféus possíveis. Às vezes a tarefa é difícil demais, ou cansativa e repetitiva demais, e aí depende de cada jogo para saber por quanto tempo estou disposto a persitir. Não é raro eu abdicar da platina, por achar que o esforço simplesmente não vale a pena.
 
Mas existem também os que não conhecem o significado da palavra desistir. Existem aqueles que dão tanto valor à quantidade de platinas obtidas, que isso quase se torna a motivação inteira de jogar. Chamo estes de "platinadores".
 
Os platinadores escolhem os seus jogos em boa parte porque eles oferecem maiores chances de conquistar todos os troféus. Feito realizado, passam para um novo jogo. Às vezes, se submetem a um título ruim, se for necessário, desde que seja possível obter facilmente a platina.
 
Estão experimentando totalmente o jogo ou sendo motivados a melhorar? Não exatamente. Não é raro este tipo de gamer utilizar qualquer artifício à disposição, combinando partidas, trocas de favores, utilizando dicas, ou o que for. Certa vez até já encontrei alguém que queria combinar o resultado de uma partida ranqueada de Mortal Kombat. O detalhe é que não é possível escolher o seu adversário lá, então o plano seria tentar repetitivamente até o jogo aleatoriamente colocar você e o seu "parceiro no crime" um contra o outro.
Hannah Montana: The Movie para PS3. A sua irmãzinha - e os platinadores - adoram.
Não, obrigado. Eu fiz sozinho os meus troféus no rank de Mortal Kombat. Fiquei satisfeito e achei engraçado quando agarrei um cara oito vezes em uma luta séria. Para mim não teria tido o mesmo significado fazer isso combinado.

Então isso é errado? Bom, não existe certo ou errado nesse assunto. Certamente, eu acho esquisito, acho que passa um pouco dos limites do razoável. Porém, outros não poderiam dizer exatamente o mesmo de mim? Não era eu quem estava levando todos os personagens de Super Street Fighter 4 à classe C? Sim, fiz isso na raça, aproveitando a oportunidade para aprender a jogar ao menos decentemente com cada um deles, mas em uma análise objetiva, por nenhum outro propósito a não ser a satisfação pessoal – nenhum mesmo, nem a platina, uma vez que em Street Fighter há um troféu que exige uma perícia bastante grande, bem acima do que sou capaz de fazer.
 
De modo que, ainda que eu pense que os platinadores exageram um pouco, seria hipocrisia desfilar como um exemplo de pragmatismo.
 
Acreditem ou não, este não é o "fundo do poço". Há aqueles que vão ainda mais longe e utilizam consoles hackeados e/ou saves adulterados, para simplesmente se dar os troféus que quiserem conquistar.
Jogar é tão old school... É assim que se platina hoje em dia.
Eles não têm sequer o trabalho de iniciar o jogo: utilizando uma ferramenta de edição de códigos, liberam o troféu instantaneamente. Tudo pelos números, deixando completamente de lado não só as partes extras, como, às vezes, a experiência inteira do jogo.
 
Será que, pelo menos quanto a esse ponto, podemos todos concordar que isso é ir longe demais?